domingo, 17 de fevereiro de 2008

engatinhando nas palavras – um exercício de balbucio

Como dizer sobre o não saber dizer? Como falar sobre o calar?
Me pego hoje olhando para dentro de mim, para tudo o que calei. Um não expressar sem fim, tão imenso e tão constante que num ápice de instalação leva a um transbordamento do mutismo.
Olho-me e vejo-me repleta de coisas, possuidora de um sem fim de preciosidades coletadas e cuidadosamente guardadas ao longo de toda uma vida. Coisas lindas, delicadas, algumas tão arduamente conquistadas e todas, sem distinção, seguindo o mesmo caminho: envelhecimento, ostracismo, depauperação.
Estou aqui, inchada, inflada, repleta do que não digo, do que não uso por não saber colocar, por não saber usar. Em que momento bloqueei a nascente? Como conseguir e permitir que tudo escoe antes que as comportas estourem?
Qual enchente de grandes proporções, mais e mais vejo se aproximar o momento do desfecho final: uma catastrófica implosão ou um desembocar tímido das minhas águas turbulentas num mar acolhedor, onde meus sentimentos, tão aterradores devido ao confinamento, possam fluir calmamente, cientes e conscientes de suas proporções. Onde a beleza e a feiúra possam ser vistos sob seus verdadeiros prismas, sem privilégio de um sobre o outro. Onde haja espaço para cada coisa ser exatamente o que é - criando do atual entulho um conjunto harmonioso de belas e especiais raridades vivenciais.

texto: Lucia Vianna

5 comentários:

água disse...

Passando, lendo e adorando, sempre...
Bjssssss

Pati disse...

A luz ...ainda não é tempo.

Como dizia Drummond,o antigo amor nunca se vai,cada dia surge mais ardente e pobre de esperança.Não mais triste,pois ele venceu a dor e sim,brilha no seu canto obscuro,tanto mais velho,quanto mais amor.Amor que ainda pulsa,não amor moribundo,esquecido,enterrado.
Amor,sempre Amor.

Anônimo disse...

Quisera eu
derramar todas as flores
de todas as estações
para colorir todos
os seus dias

Quisera eu
poder te dar o sol
para aquecer seu coração
versus a solidão

Quisera eu
dar-te a magia da lua
para você viver a vida inteira
coberto de amor e ternura

Quisera eu ter o dom da cura
para te libertar de toda dor
do corpo e do coração
Acabar com todas
as amarguras

Quisera eu dar aos seus ouvidos
o silencio
quebrado apenas
pelas canções
de paz

Quisera eu
ser querubim
para cuidar de você
sem precisar partir

Quisera tudo e tanto mais
Só por um único motivo
minha amizade
que só quer
te ver Feliz.

beijos,

Anônimo disse...

"O que mata um jardim não é o abandono.
O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente."

(Mário Quintana)

cerejeira disse...

Amizade Cristalina

Quisera eu
derramar todas as flores
de todas as estações
para colorir todos
os seus dias

Quisera eu
poder te dar o sol
para aquecer seu coração
versus a solidão

Quisera eu
dar-te a magia da lua
para você viver a vida inteira
coberto de amor e ternura

Quisera eu ter o dom da cura
para te libertar de toda dor
do corpo e do coração
Acabar com todas
as amarguras

Quisera eu dar aos seus ouvidos
o silencio
quebrado apenas
pelas canções
de paz

Quisera eu
ser querubim
para cuidar de você
sem precisar partir

Quisera tudo e tanto mais
Só por um único motivo
minha amizade
que só quer
te ver Feliz.

aut; Glorinha Gaivota