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terça-feira, 10 de maio de 2011

poderosa


Gestora de sonhos. De meu sentir, tutora
Comandante de vida. Patroa do arco-íris
Princesa dos ventos. Madre superiora
Presidente de meus olhos. Gerente das flores
Chefe das brisas. Razão da música e poesia
Diretora dos rumos. Mentora de planos
Possuidora das cores. Feitora de amores
Madame dos templos. Autora de beijos
Maga do êxtase. Juíza de todas as causas
Rainha bela e devassa. Rainha do tabuleiro
Deusa do encontro. Imperatriz dos desejos
Reitora dos modos. Encarregada da paz
Madona do quadro. Mandante do crime
Musa nua da idéia. Detentora do motivo
Responsável de tanto amar. Dona da posse
Delegada de paixão cativa e amor detento
Provedora da felicidade. Você é assim:
Senhora de tudo – Senhora de mim

texto: paulo moreira
imagem: google
song by: www.doug-scoth.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ah, damiana!

Chora, Damiana, chora!
Pelo passar da hora
Pelo leite derramado
Pelo trem atrasado
Chora pelo tempo que passou

Chora, Damiana, chora!
Pelos sonhos perdidos
Pelos sentimentos evadidos
Pelo amanhecer sem colorido
Chora pela vida que se foi

Chora, Damiana, chora!
Deixa o peito se esvair
E então, Damiana
Será hora de olhar no espelho
Ajeitar o cabelo
E finalmente sorrir

poesia: lucia vianna & paulo moreira
imagem: olhares.com - portugal

segunda-feira, 9 de março de 2009

respirar você

Seu suave respirar dançando leve nas águas do sonho
A leveza do ar que sai de suas narinas - volátil momento
Desassossego; descobrir num quase soluço - os desejos
Senhores dos ares, das chuvas, de todos os elementos
Engasgados na luz-aura-muda do olhar de afago de quem ama
Inalam o amor e aspiram poema e paixão; você me inspira
Aquáticos fluxos e palavras sem nexo; falta ar - falta fôlego
Incêndio de nós toma conta; tudo infla, amor inunda - êxtase
Maravilhoso desespero de olhos fechados e lábios mordidos
Enfim, desabar sobre mim, num suspiro cansado – quase sofrido
Libertando do peito, o ar contido; doce apnéia dos sentidos e da razão
Corpo calmo, agora sedado – generoso - abençoando minhas mãos

E, afogado nessas águas de sonho, vejo seu semblante adormecer
Num suspiro, agradeço baixinho: - Como é bom respirar você!

(paulo moreira)
imagem: olhares.com - portugal

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

morrer de amor

Os dias sem esse alguém são aqueles dias de frio
De mãos trêmulas, dos músculos enrijecidos
Da boca repuxada, ar gelado quase assobio
Busca de mãos quentes, de calores perdidos
Crônicas insônias, cobertores que não suprem
Frios na alma são chicotes de gelo em couro
Andar descalço em desertos invertidos que nevam
É procurar carinhos e apenas encontrar vácuos
Câmara fria que nos mantém o corpo inerte
Abaixo de zero, nada se move, nada diverte
São as árvores sem folhas, arrasadas pelo gelo
É saudade congelada, queimando em desespero

Os dias sem esse alguém são as noites escuras e horríveis da solidão
Insistem nossos braços gelados tateando em cegueira pura
Tenebroso, o medo revolto dentro de nosso próprio porão
E atravessam o quarto os sons agudos da amargura
São os lamentos do que não se fez; são remorsos
Morrendo, frases sem luz perdendo palavras
Capuz sufocante que castra os olhos
Entrecorta o fôlego, traz lágrimas
Tudo então torna-se pequeno
A vida perdendo a razão
Congelados os restos
Sem brilho, assim:
Sem gestos
Escuridão
Fim

paulo moreira

domingo, 16 de novembro de 2008

poetisa

poetisas são assim....
uma faz rima pra mim

poetisas nos arrastam pelo coração
escrevem em nós
como fosse invisível mão

uma poetisa me leva
por caminhos que nunca percorri
me toma e não sossega
invade meus versos
invade minha rua
e meu mundo fica assim

múltiplas presenças numa só fada
minha poetisa.... minha mulher... minha amada

(paulo moreira)

domingo, 14 de setembro de 2008

o tamanho do amor

O amor cabe num aquário, num cubo
mas será sempre maior que os oceanos
Sem tempo preciso, só precisa um segundo
Ampulheta eterna, agenda de mil planos
***
Cabe num aro anel, em alianças de sonho
Em corações traçados, num sorriso inesperado
Num tolo bordado em toalhas de banho
Num frasco da memória, perfume guardado
***
Encaixa-se numa pequena pétala de flor
Se faz pleno numa única palavra sugerida
Por não saber seu tamanho, o amor
Vai além do tempo e da própria vida
***
Controverso sentido, pequenino e imenso
Amedronta e, ainda assim, nos faz seguros
Senhor do mundo, afronta e cabe num verso
Cativo de si e detento, roga lindos agouros
***
Não há quem possa, portanto, lhe definir o tamanho
Ninguém lhe sabe o alcance, tampouco a sua verdade
Em todas as meninas dos olhos - está esse estranho
Brincando de ser universo - e sabendo-se eternidade
...
paulo moreira

terça-feira, 9 de setembro de 2008

escrevendo emoções

Mãos de luz abençoam minhas madrugadas
E transformam angústias e dores em palavras
As tristezas se tornam esperança
A este homem, fazem criança
Os sentimentos viram brinquedos
Do mundo, descubro os segredos
...
Escorrem emoções como bolas de gude
A realidade perde o sentido de dor
Deslumbrado nem sei como pude
Transformar tanta coisa em amor
...
E essas mãos fazem - de tudo - uma nova construção
No papel, meio às gotas de sensações misturadas
Entre mágicas de vida e emoções soterradas
Nas lágrimas, antes contidas, reencontro o meu coração
...
paulo moreira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Flor


Quis um verso bem pequeno

simples como uma flor

que depois do orvalho e sereno

tal qual lágrimas de dor

Agradece ao sol num aceno

explodindo pétalas de amor


Paulo Moreira (numa esquina)