terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

prece

Ajude, Senhor - meus olhos - a verem nesse mundo, em tudo e todos, a Tua grandeza. Que eu veja em cada expressão humana, uma busca da Tua presença. Ajude-me a ser melhor e não julgar meus irmãos de jornada, para poder, assim, ajudar verdadeiramente a todos. Faça com que qualquer ser que de mim se aproxime, me olhe e veja no meu trabalho, palavras, atos e sentimentos - ao menos um pouquinho da Tua luz. E se contagie. Que possamos aprender e ensinar com alegria e despreendimento.
Peço-Lhe, Pai, nos ensine a ser Luz!

texto: paulo moreira

domingo, 17 de fevereiro de 2008

engatinhando nas palavras – um exercício de balbucio

Como dizer sobre o não saber dizer? Como falar sobre o calar?
Me pego hoje olhando para dentro de mim, para tudo o que calei. Um não expressar sem fim, tão imenso e tão constante que num ápice de instalação leva a um transbordamento do mutismo.
Olho-me e vejo-me repleta de coisas, possuidora de um sem fim de preciosidades coletadas e cuidadosamente guardadas ao longo de toda uma vida. Coisas lindas, delicadas, algumas tão arduamente conquistadas e todas, sem distinção, seguindo o mesmo caminho: envelhecimento, ostracismo, depauperação.
Estou aqui, inchada, inflada, repleta do que não digo, do que não uso por não saber colocar, por não saber usar. Em que momento bloqueei a nascente? Como conseguir e permitir que tudo escoe antes que as comportas estourem?
Qual enchente de grandes proporções, mais e mais vejo se aproximar o momento do desfecho final: uma catastrófica implosão ou um desembocar tímido das minhas águas turbulentas num mar acolhedor, onde meus sentimentos, tão aterradores devido ao confinamento, possam fluir calmamente, cientes e conscientes de suas proporções. Onde a beleza e a feiúra possam ser vistos sob seus verdadeiros prismas, sem privilégio de um sobre o outro. Onde haja espaço para cada coisa ser exatamente o que é - criando do atual entulho um conjunto harmonioso de belas e especiais raridades vivenciais.

texto: Lucia Vianna

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

eu preciso.

É muito além - o que eu preciso! Tem nome, rosto e alma. Mas, é muito mais - Sol, Lua, Estrela.... Universo! É o que vem - chama-se luz. Chama-se amor até o infinito.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Desconstruções

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos.
Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.
Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido:
A de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo.
Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.
Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.
A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

texto: Martha Medeiros