domingo, 1 de janeiro de 2012

o velho, o novo e o que o tempo não ousa tocar

Desculpem - este texto está sendo revisado para ser publicado novamente.

texto: paulo moreira
imagem: dmitriy nikolaevich maslennikov - photoforum/rússia
música - pink floyd - fearless (interpolating you'll never walk alone) -powered by www.sissinossosite.com

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

do impossível de explicar


Música sem letra. O que sai da garganta feito uivo, lamento, grito. O que não mais importa - sentimento que abortou - luz que se recusa. Nossos sótãos e seus morcegos, suas teias, sua poeira.
As ausências que escorreram entre os dedos. O sem nexo, sem sentido, sem rumo. Palavra sem tradução, sem dicionário. Amontoados de adeuses. Indiferença por impercepção, por revelia. Perder-se de si por Walk Over. Não ficar, nem partir. Descolorir - desflorescer. Chorar granizo.
Falta. 

texto: paulo moreira
imagem: mariya maracheva
música: pink floyd - the great gig in the sky / powered by: http://www.sissinossosite.com.br/

domingo, 13 de novembro de 2011

pavores e certezas

Quando amanhece vem o medo de que os olhos, de desejaram-se tanto, ceguem ao perceber o dia. E não consigam mais ver a cidade de sonhos que foi criada na imaginação de dois habitantes, cheia de praças de crianças sorridentes; de igrejas que tocam sinos suaves todas as noites, das ruas tortuosas de nossos corpos, nossas pontes.
Receio de não mais voar entre as velhas árvores que plantamos num piscar de olhos, de nossos labirintos e vielas cheios de bares com música suave. Não mais ver nossas sombras coloridas, só possíveis para os de pura paixão.
Arrepios assustados por não ver lençóis e travesseiros desarrumados – que parecem a pintura do paraíso – monumentos de querer bem. Pavor de arrumá-los, pois se o fizermos, arrasaremos nossos quarteirões construídos com a delicadeza dos cúmplices. Temer que ao raiar do dia, nossas nascentes sequem e nenhum líquido nunca mais brote de nossas fontes de prazer, cheias de luzes coloridas.
Lamentar o som do chuveiro de quem se prepara para sair, como se os sons dos gemidos e sussurros da madrugada não lhe bastassem. Preferir a cegueira ao ver a porta se abrir e outro se esvair de nós, feito gás que se desprende de uma bebida; deixando-nos feito restinho de refrigerante abandonado.
Ciúme por ter que emprestar nosso alguém à cidade, agora de verdade. Visualizar pernas, braços, sorrisos e vestidos que vão movimentar-se, como criança - ingênua e linda - entre calçadas, avenidas ou o escritório. Jurar que nossos carinhos são lugares mais seguros.
Sair também para o dia sem graça que se arrasta e com a certeza de ter lido em algum lugar que o mundo terminaria hoje. Medo e angústia do nunca mais.
Retornar à noite e sentado no sofá, na solidão da sala, meio a tantas lembranças - vê-la entrar com um sorriso e uma sacola enormes; olhos brilhantes de diamantes e abrindo braços como quem pede para brincar de desarrumar lençóis e morrer de amor. Nos corações, toda a certeza do mundo.
Na sacola - uma Coca-Cola. Bem gelada.

texto: paulo moreira
imagem: google/coca-cola
música: angela aki - onegasani aishiteru - powered by: www.encrencamidis.com

sábado, 5 de novembro de 2011

novas lágrimas


Não quero mais os quadros do passado brincando com os sentimentos. A história eu já sei de cor. E, exatamente por isso, sei que é preciso tirar as velhas roupas e viver com o que há de vir. Só o passado traz medos e me faz morto.
Necessito da mágoa nunca antes sentida; da saudade do que ainda não passei. Serão bem vindas as tristezas inéditas. Hei de me contorcer em dores agudas - com gemidos e olhos de dó de mim - pelo simples prazer de conhecer novas feridas.
Preciso dos desenganos, dos desatinos e de novas decepções. Almejo, com toda a força da minha alma e mais do que nunca, o novo - o não vivido.
Quero um amor com todas as infelicidades que ele possa me dar.
E poder, com plenitude e intensidade, chorar minhas novas lágrimas.

texto: paulo moreira
imagem: arquivo pessoal
música: dashboard confessional - swiss army romance - powered by:
www.encrencamidis.com


domingo, 9 de outubro de 2011

poder acontecer

Sempre achamos que tudo pode acontecer novamente. Em nosso ser, acontece novamente o tempo todo. Muito linda a estória infantil da aranha Momentinha, que subia na calha e vinha a chuva  e a derrubava. Quando o sol brilhava - secava a água - lá estava ela de volta. Sempre!
Nunca acreditamos que a chuva pode nos derrubar e, tal qual aranhas teimosas, acreditamos que o sol voltará. Sempre!
Por piores tempestades que venham, isso só servirá para sabermos que acima de tudo - amar o sol nos move.


texto: paulo moreira
imagem: photoforum.ru - rússia
música: carly simon - coming around again/itsy bitsy spider - powered by: http://www.encrencamidis.com/

domingo, 14 de agosto de 2011

pai & filho

Que falta você faz, pai. Daria tudo para ouvir uma única palavra sua; para ouvir sua voz me dizer apenas:
- Filho
Você continua anos e anos a fio nesse silêncio, enquanto o sinto cada vez mais forte ao meu lado. Será que está chegando o tempo de te rever ou será, ainda, que haverá um rever? Queria tanto poder afirmar isso com a convicção dos que dizem:
- Eu sei. Porque foi MEU PAI quem falou!
O inverno e o frio do seu silêncio aumentam ainda mais essa saudade e, quando penso, imagino que em suas terras só existem primaveras. Não consigo mais lembrar de cenas completas e só retalhos de momentos junto de ti, feito uma fotografia que o tempo foi se encarregando de pouco a pouco ir apagando, é o que possuo. No entanto, sua essência invade mais e mais o meu ser e esse saber do para sempre me fere demais.
Sabe, pai, morrer num dia de Natal não é o melhor presente que se dê a um filho. Isso não se faz e você não tinha esse direito. Não tinha o direito de me entregar os natais da eternidade para me castigar para sempre. Temo passá-los todos sem entender. Mas existem tempos em que todos os dias parecem natais e você insiste em me olhar feio por eu sentir assim. Sentir falta não é malcriação, você sabia? Acho que sabe, sim.
Sua presença me espiona em meus quartos, porém é como uma música sem letra e quando te sinto ao meu lado, vem essa canção triste que não me abandona.
Sinto, vivo, me desespero e você não diz uma só palavra.
Ilumina-me incansável, mas não consigo expressar a ninguém aquilo que me irradia. Desconheço seu jeito de se fazer entender e nem me dou conta que estamos em mundos diferentes. Só sei traduzir para mim mesmo essas loucuras que você vive falando sobre ter fé e paciência, embora não me convença.
Então o meu ser chora por inteiro. Por mim, pelo meu egoísmo, pela tua falta. Por saber essa dor que não cede. Ainda assim, peço para ficar sempre junto de mim e que não se atreva nunca mais a me deixar sozinho nesse parquinho de brinquedos velhos. Por favor, dê-me sua mão e não vou mais ligar por me ver como um menino. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que você tem sempre razão.
Perdoe-me por estar assim, pai. Não é manha - é o medo da tristeza dessa tua ausência absurda. É a emoção que vem quando estou na tua presença - tão inimaginável quanto concreta.
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texto: paulo moreira
crédito de imagem: filipe silva - olhares.com - portugal

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

flores que abraçam


Sensibilidade é ter olhos que assistem outros olhos serenos e lhes percebe a paz que levam. Delicadeza.
É sentir coisas impossíveis de se explicar ao ver uma pétala de rosa com gotas de orvalho e perceber que a imagem é a mesma de ver a si próprio com as gotas da noite fria e deserta de presenças ou sonhos. É saber acariciar peles com o dorso das mãos sem quase tocá-las. Emocionar-se ao ver estrelas e ter dó de si por estar só. Ter saudade do que não pode ser, como tivesse sido. Angústia pela solidão da noite.
Sensibilidade é sofrer o sofrimento de outrem, não importa quem. Sentir que cada dor sofrida pelo mendigo ou milionário, mulher, homem, animal ou planta - até pelas pedras - dilacera seus olhos-pétalas de sereno. Olhos de sensibilidade não choram; serenam.
Delicadeza de transformar as tristezas, alegrias e qualquer sentimento, em mãos que dizem sob qualquer forma, o que lhes atravessa a alma. Seres generosos. Seres movidos pela emoção.
Homens tornam-se anjos quando mulheres, que transformam-se em fadas, voam perto. Fundamental tê-los juntos para entender que a vida é um maravilhoso milagre; ter a possibilidade de assistir como  uma mulher pode ser mágica, sendo apenas uma Flor.
Sensível a ponto de, num abraço - que parece ter em sua ausência de fórmula, todos os sentimentos mais profundos que alguém possa ter - moldar peças com a imagem de sua fragilidade. Despertar entendimento entre formas e cores, obrigando-nos a sorrir com pureza, a amar e querer bem sem limites. Deixando-nos sem saber se nosso ouvido inventou um leve suspiro, para o coração sorrir ainda mais.
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.texto: paulo moreira
imagem: google

sábado, 30 de julho de 2011

a bola que ressuscitou



Plena quinta-feira à noite, todos na porta da faculdade depois da prova de matemática e contabilidade. Alguns acadêmicos decidem ir para um point, jogar um snooker e tomar umas cervejas, porque ninguém é de ferro. Dessa reunião, colhemos algumas pérolas no decorrer da noite. Talvez isso sirva para que as mulheres conheçam um pouco melhor o universo masculino. Acreditamos que nem a TV Cultura produziria um documentário tão educativo e proveitoso para acadêmicos de Administração. Aqui vão alguns trechos de frases e conversas da noite que, a rigor, deveriam ficar registrados num portfólio:
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- pensei que a prova seria difícil...
- e não foi?
- não... estava impossível...
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- Passivo Circulante é um viadinho dando voltas no Lago, à procura de um namorado...
- Procurando um Ativo Divertido...
- É Diferido...
- Coisa nenhuma. É falta de vergonha mesmo!
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- Meu, você com esse cigarro largado na boca e mirando as bolas, está parecendo dono do jogo do bicho, chefe do tráfico no morro, uma coisa assim...
- Você acha mesmo? Estou tão bem assim?
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- Da próxima vez vamos fazer um churrasco na pracinha, em frente à facu.
- Mas, não é proibido fazer churrasco na praça?
- Ninguém pode proibir a gente de fazer churrasco. A carne é minha e a Praça é pública. Em frente a outra escola que estudei, eu fazia. Os que estavam lá dentro reclamavam da fumaça e do cheiro. Pararam de reclamar quando começamos a passar o churrasco pela janela... Até o diretor elogiou...
*
- Paulão, não fica chateado. A gente tem que ser sonhador mesmo. Tudo o que existe, precisa ser sonhado antes...
- Sonho mesmo... quero o melhor e ninguém tem nada com isso! Para ter uma vida melhor, temos que sonhar e lutar. Como diria a Rita Lee: eles têm 3 carros, mas eu sei voar...
- Pô cara, que legal isso que você falou. ... Então voa!  Amarra um lençol e vai fundo...
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- Prestenção cara, aquela que tá jogando agora naquela mesa, a bundinha empinadinha...
- Fazendo pose...
- Pose nada, é desse jeito mesmo.
- Uiaaaaaaaaa, é mesmo... Original de fábrica...
- Bão, né?
- Ajeitada...
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- Num gosto de gente que tem duas caras.
- Nem eu, principalmente quando as duas são feias...
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- Não fico preparando jogada, miro a bola e desço porrada...
- Então joga logo...
- TÁ VENDO MALUCO? É ASSIM QUE SE MATA UMA BOLA. UAUUUUUU
- Se você não tivesse matado a bola deles, teria sido muito bom mesmo...
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- Atende o celular!
- Merda, ela sempre me acha...
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- Tô admirado, cara... é muito grande... é redondona, é enorme... é...
- É uma overbunda!
- Mas, é ajeitada.
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- Você já reparou que bunduda só anda em grupo?
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- Num falei que é mirar e dar porrada?
- Falou, mas precisa ajeitar a bola para a jogada seguinte...
- O que precisa é matar as bolas...
- Também precisa.
-...Num acredito, só faltava ela. Ela entrou na caçapa...
- É, mas saiu.
- A infeliz ressuscitou no terceiro dia!
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- De quem é esse copo?
- Do bar...
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- MATEI! MATEI!
- Jogou no meio, bateu no bico e morreu no fundo. Assim qualquer um mata. Rabudo!
- Mas matei! Puxa vida, cara, num precisa falar desse jeito, tá me magoando... você tá acabando com a minha auto-estima.
- Pô, desculpa cara...
- Desculpa nada. Saí da frente que é pra eu fazer outra cagada dessas!
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- Precisava espairecer. Marvada TPM!
- TPM?
- Tô Puto Mesmo
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- Atende o celular.
- Merda, ela me achou novamente!
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- Não é possível! A bola ressuscitou de novo!
- Liga não, parceiro. Cê já matou todas as bolas imatáveis.
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- A gente precisa fazer isso sempre...
- Fazer o quê? Prova?
- Não... reunir o pessoal, distrair-se com os amigos
- Toda semana...
- Duas vezes por semana...
- Todo fim de semana...
- O Bar do Mussarelli já abriu as inscrições para matrícula?
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- Tchau pra todo mundo. Vou pra casa levar um ralo da mulher agora. São quase duas da manhã.
- Não achou que os caras pesaram a mão na conta?
- Achei sim. Mas, valeu a pena, né?
- Valeu sim. Só uma coisa me deixou invocado...
- O quê?
- Aquela bola que ressuscitou... ressuscitou 3 vezes. Parecia mulher feia; quando eu batia mais firme e pensava que tinha ido... ela de novo...
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- Atende o celular.
- Merda. Como é que ela me encontra tanto, heim?
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Este trabalho é a síntese significativa da aprendizagem adquirida no módulo O Direito de Tomar uma Cerveja Depois das Provas. É uma exigência do processo avaliativo dos amigos e tem como objetivo, exercitar os acadêmicos na capacidade de síntese e comunicação através de um bom jogo de snooker.
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texto: paulo moreira
crédito de imagem: anastasia luppova