terça-feira, 17 de junho de 2008

mudanças

Imagine estar olhando um planeta que, em certo momento, começa a entrar num processo de autodestruição. Com movimentos semelhantes a uma convulsão, até que numa enorme explosão, seus pedaços se espalhem pelo espaço.
Imagine agora a sua vida; o seu universo. Tente enxergá-la como um planeta. Veja os rios cristalinos correndo em suas veias e os oceanos cheios de vida que te pertencem. Perceba em si seus vales e montanhas cobertos de flores e árvores. Animais correndo livres entre suas planícies, cujo gado pasta tranqüilo sob o sol que te banha pela manhã. Olhe o lago tranquilo da tua paz repleto de peixinhos coloridos. Veja as cidades que você construiu em si; os edifícios de seus planos, a luz do teu trabalho e as obras do teu amor. Sua família, seus amigos. Imagine esse planeta que é você.
Só que nós não somos estáticos, assim como os planetas não o são. Queremos e precisamos mais. O tempo todo vamos modificando as nossas paisagens. Melhoramos algumas, construímos outras e os erros cometidos por nós ou por outros, acabam poluindo nosso pensar, criando guerras íntimas, matando paisagens de sonhos e desmatando nossos sentimentos. Por vezes, quase chegando a nos transformar em completos desertos.
Com todos os problemas que vivemos e apesar deles, sentimo-nos seguros nesse nosso mundinho. Vamos mantendo tudo que o compõe porque, seja como for, é a nossa casa e refúgio. É nesse planeta de louca geografia chamado Nós Mesmos que vivemos e conhecemos cada detalhe.

Independente de enxergarmos, certas coisas em nós precisam ser mudadas e algumas extirpadas. É o interminável espaço de tempo que antecede o novo. É quando chega a época dos terremotos da alma e tudo para nós entra em colapso.
Nada funciona. O amor não vem ou se desfaz. As crises financeiras se sucedem; vêm a depressão, as doenças, o dar adeus a seres queridos, o contínuo perder e perder. Em todos os sentidos. Chegamos por vezes, à beira do desespero, senão nele.
Em meio a todo esse caos, fica difícil notar que tudo isso é pela simples razão de haver chegado o momento de mudar. E que nem sempre essa mudança será determinada por nós ou sob nosso controle megalomaníaco. Quase impossível aceitar.
O universo é energia e movimento, com suas próprias regras, e tem uma ordenação que nossa condição de planetinhas não nos permite sempre entender. A um pensamento de Deus, o Universo vibra. Por isso tudo muda.
O pinto precisa romper o ovo para vir à vida. O feto precisa ser expulso de seu lugar quente e seguro e a planta só cresce quando rompe a terra. As grandes crises no mundo surgiram sempre em que foi preciso mudar. Civilizações inteiras tornaram-se pó. A inacreditável queda do Império Romano aconteceu e problemas menores afetaram o mundo.
Em tempos modernos, acredito que seria o momento de lembrarmos, por exemplo, que a grande depressão dos anos 30 não se resolveu através de aviões americanos pulverizando fluoxetina sobre a Terra. Pode parecer engraçado, mas estou querendo dizer que tudo chega a um ponto que explode e se reordena por si mesmo.
Imagine, por fim, que é chegada a hora de um ser humano explodir e se fragmentar em pedaços, tal qual aquele planeta que falamos.
Os braços do Criador, assim como deram outro destino aos fragmentos daquele planeta, voltam-se para nós e repetem o que acontece em absolutamente tudo no universo.
Novas e velhas peças voltam a se encaixar com uma precisão que impressiona. Tudo passa a fluir e gerar coisas boas. Vem o amor, novos jardins se formam e os velhos rebrotam. A água pura e cristalina volta a fluir nos rios. Nossos oceanos recomeçam seu movimento das marés. Os animais correm soltos e os frutos retomam seu mel sabor. Gaiolas se desfazem e os pássaros de nossa imaginação voam livres na imensidão do céu. Estamos prontos para ressurgir em nossa galáxia, talvez até mesmo na condição de estrelas.
Dá angustia saber, que mesmo querendo, a família Robinson não conseguiu retornar à Terra, embora tenha lutado tanto para isso. Esquecemo-nos que são felizes viajando sempre e sempre. Jamais irão voltar. Não teria sentido.
Na verdade, sentimos medo dos alienígenas que podemos encontrar nesses novos rumos que a vida está nos presenteando. Demoramos para nos conscientizar que tanta dor e sofrimento foi muito mais pelo medo do desconhecido, que qualquer outra coisa.
E, de repente, como que vinda de algum outro sistema estelar, surge em nós, a paz.

texto: paulo moreira

14 comentários:

HELENA MARINA disse...

Oi Paulo, muito interessante esse seu texto, é verdade por vêzes precisamos passar por essa explosão de sentimentos ,mais cedo ou mais tarde passamos por isso, ou pq queremos ou não mas ha necessidade, não podemos ficar estagnados, parece estarmos "no olho do furacão", mas depois que a poeira assenta e o tempo vai passando, vai cicatrizando os machucados internos e depois dessa revolução toda,acordamos para vida e ela é bela .
A vida é bela e vale a pena vive-la, senti-lá, pois estamos vivos e mais amadurecidos e olhando para trás podemos ver que saimos vencedores!!
Bjos,

paulo disse...

Pois é, Helena...

O difícl é a gente tentar enxergar as coisas com clareza nos momentos difíceis, né?

Beijos

água cristalina disse...

Oi Paulo!
Mais uma vez entro por uma porta que me emociona muito......
Esse seu texto nos mostra realmente os turbilhões pelo que passamos e vamos mudando......passamos de novo.....mudamos e vamos caminhando em busca dessa paz....
Obrigada por tudo
Sempre grata meu amigo...
Te espero pra um café, rsssss
bjsssssss

Graciene disse...

Oi Paulo é a primeira vez que entro no seu blg e gostei muito do seu texto sobre mudança. Eu adoro mudar mas é claro que nem sempre é fácil. Mudar nos renova, nos fortalece, nos deixa prontos para a vida.
Um abraço.

paulo disse...

Água...

Bom saber que se emociona quando vem aqui.

Beijos

paulo disse...

Graciene:

Sempre precisamos nos renovar, né?
Obrigado pelo carinho da visita. Espero que volte outras vezes. Será sempre bem vinda.

Abraços

Lucia disse...

Nossa!! O blog ficou lindo demais.
Está a sua cara. Gostei muito, muito mesmo. Parabéns!!!!!!!!!
Beijos

paulo disse...

Lucia:

Todo orgulhoso aqui...rsss. Vindo de uma moça de tão bom gosto, é motivo de alegria. Obrigado, criança.

Beijos

flor disse...

Oii Paulinho querido, saudades menino!!
Adorei sua visita.
Texto interessante, verdadeiro. A imagem me reportou aos idos dos anos 60/70, quando eu não perdia um capitulo desse seriado. Gostoso recordar.

Abraços no seu coração
Flor

Sonia Regly disse...

Paulo,
Posso postar o texto" Quando o coração aprende a falar,lá no Compartilhando as Letras???" Beijinhos

paulo disse...

Flor:

Que bom que veio. Pensei que estivesse magoada comigo. Sumiu.
Tb adorei sua visita.

Carinho

paulo disse...

Oi Sônia:

Pode sim. Se vc reparar, lá nos comentários do próprio texto, eu já havia respondido...rsss Pode publicar o texto que quiser, não há o menor problema, viu?
Obrigado pela visita sempre legal.

Carinho

Ivete disse...

Bom dia Paulo!
Ta bonito isso aqui heim?
Viu como to aprendendo....nem preciso falar das emoções.
O bom mesmo é ver o carinho que estou recebendo.
bjsssss

Deusa Odoyá disse...

Oi meu estimado e querido Paulo.
na vida precisamos em alguns momentos mudarmos nossos conceitos.
as vezes as mudanças tornam a vida mais prazeirosa, tirando os dissabores as indiferenças e nos trazendo acalanto e esperanças aosnossos corações.
Paulo um beijo da nova amiga.
fique em paz.

Te aguardo no meu cantinho.