sexta-feira, 27 de junho de 2008

simplesmente feliz

No meio da noite uma vontade imensa de dar risadas. Passaria despercebido, não fosse uma sensação tão intensa. De repente, tudo ficou bonito e comecei a sorrir para mim mesmo, para tudo à minha volta. Até o vôo de um inseto virou balet. O coração se encheu de amor e ficou pulsando como aqueles celulares com tremedeira.
Num instante, uma vontade imensa de aumentar o volume daquela música alegre e ficar gesticulando sozinho, orgulhoso com o próprio movimento das mãos sedentas de movimento e ritmo. Não entendendo nada, começo a brincar com o próprio pensamento.
Fosse contar para alguém, diria que fiquei procurando uma fumaça misteriosa que teria entrado pelos vãos da janela. Talvez alegar que os anjos resolveram fazer baile na minha casa, chamando-me para dançar o funk das asinhas.
Drogas, não uso. Só posso contar com o meu pensar. Que seria isso?
Uma felicidade sem tamanho toma conta de tudo. Do corpo, do pensamento, do coração, do mundo. Coisa de nenê que dá aquela gargalhada gostosa diante de um simples aceno. Sentimento de ter ganhado o primeiro beijo; de primeiro amor. Alegria na alma com vontade de dançar e pular.
Vontade cantar parabéns a você, do jeito mais ridículo possível. Liberdade na alma, lembrando todas as pessoas queridas sorrindo. Não apenas essas, mas todos os seres do mundo. Como se alegria, nessa noite fria, fosse vírus de influenza modificado. Muito esquisito.
Desejo de dar as mãos para alguém e sair correndo junto, sorrindo. Penso que posso estar morrendo e fiquei feliz porque não vou mais precisar de automóvel; que daqui para frente irei onde meu pensamento mandar num piscar de olhos. Bobagem, não estou morrendo não. Só se estiver morrendo de amor, mas fosse isso, estaria com o pensamentos fixo em alguém e isso não é o que acontece. Não penso num alguém em especial. Alegria mais esquisistranha. De onde vem isso? O ar ficou contaminado com alguma substância?
Consigo imaginar um mundo de crianças felizes, de pessoas plenas, de amizades pulando como pipocas na panela, de gente se amando. Nem vi o céu, mas deve estar lindo como nunca.
Desejo de amor, de paz, de proximidade. Vontade registrar esse momento em cartório.
Pensando em médicos e enfermeiras - desocupados pelos corredores de hospitais vazios -contando piadinhas de humor claro, enquanto os funcionários da portaria, sonados, ficam com a cabeça pescando, à espera dos que não virão mais, nunca mais. Delegacias vazias. Advogados brigando por um lugar em alguma gangorra ou gira-gira, dentistas sem perfumes de resina de dentadura e professores humildes.
Uma mesa comprida com centenas de pessoas comendo sardinha, pão e vinho ao meu lado, com aquela vontade. Tipo santa ceia sem crachá.
Estado de êxtase. Sorriso com jeito de coceira, com jeito de amar um mundo recém-nascido.
Prefiro imaginar que a causa seja mesmo a chegada dos anjos. Só pode ser. E ficar pensando que a vida é um presente. Esta, a próxima e mais outra.
Bom parar de pensar. Esse estado de euforia pode ser muito fugaz, talvez. Decidi - não vou pensar mesmo. Mas, vou confessar uma coisa:
- Não estou com vontade parar tão cedo. É tão bom ser bobo e estar simplesmente feliz!
.
texto: paulo moreira

10 comentários:

Etelvina de Oliveira disse...

Fiz essa cara também quando soube do coquetel de lançamento do seu livro.
Parabéns!
Você merece, espero que tudo corra bem.

um beijo

P. Cheiro de Flor disse...

Oi Moço:
Depois a piradinha sou sou eu, né? rsss (brincadeira). Ri durante boa parte do texto pois quando sinto uma paz interna, costumo transbordar de uma alegria bem semelhante a que descreveste, e as vezes os sentidos ficam tão "apurados" que sinto um cheiro bom no ar e costumo dizer "que tem anjos" por perto.
Abraços fraternos.

PS: Vou te mnadar um texto que tem um pouquinho desse "delicioso delirio" (cheiro dos anjos).

Rosani Nauar disse...

Olá!Paulo

Esse seu texto é demais, vc brincar com as palavras como alguém está no parque de diversão q fica feliz cada volta na roda gigante, vc nao faz idéia a alegria q estou sentido vê-lo assim.


beijos

Sonia Regly disse...

Paulo,
O nome do Blog é Eu gosto, e está publicado um lindo texto seu falando do beija-flor. Vou postar esse texto, depois vc dá uma conferida, ok????

Ivete disse...

Oi Paulo,

Muito bom vir aqui e sentir essa alegria que contagia...fazendo até as pessoas que possam estar passando por momentos de tristeza, sentir, essa alegria, essa vontade de ser feliz...
hummmm...deu saudade agora de pão com sardinha e sair saltitando ao som da musica, hehehehe
bjssssssssssss

Sonia Regly disse...

Amigo Paulo,
Vou colocar primeiro o texto," Quando o coração aprende a falar", depois coloco o outro do beija-flor, ok??? Vou colocar um link para que visitem seu Blog.Beijão.

Anônimo disse...

Gostei...
Te achei pelo blog da Ivete.
E quem disse que tem que parar?
a "bobiça" da felicidade, vale qualquer mico....
Bjo
Carinho
Filó
( Poeira Estelar )

Sonia Regly disse...

Paulo,
Ameeeiiii!!!! Ficou lindo!!! Vai lá ver, vê se vc gostou!!!!

Juℓi Ribeiro disse...

Paulo:

Adorei o texto!
Fiquei encantada com sua sensibilidade e talento.

Você realmente repassou de
maneira maravilhosa a arte
de ser "simplesmente feliz"
Concordo inteiramente com você:
É tão bom ser bobo e estar simplesmente feliz!

Ler o seu texto me recordou
de um texto de um escritor
que gosto muito:

"Que eu não tema fazer algo
que ninguém fez antes,
até que seja ferido.
Deixe-me ser tolo hoje,
porque a tolice é tudo que eu tenho para dar esta manhã;
eu posso ser repreendido por isso,
mas não tem importância.
Amanhã, quem sabe, eu serei menos tolo."
(Kahlil Gibran)

Um abraço.

Etelvina disse...

Puxa! E esses textos vão ficar fora do livro?
É bom começar pensar em um segundo.
Quando estive aqui só tinha a foto, por isso aquele primeiro comentário.
Mas agora só posso dizer que estou rindo a toa.

beijo